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Forcados

Os Forcados, esses valorosos e corajosos homens que saltam para a arena envergando a jaqueta das ramagens e um barrete verde, que com as mãos vazias, e a alma cheia, executam a difícil arte de pegar os toiros.

Forcados na PegaUm grupo de forcados é, antes de mais, um grupo de amigos com uma paixão em comum, o gosto de pegar toiros. Tudo o mais virá depois, com trabalho e entreajuda, entre êxitos e fracassos, nos treinos e nas corridas.

0 ambiente que envolve o grupo na tarde em que vai pegar é de contagiante alegria e começa muito antes do toque para saltar a arena, quando todos se reúnem, nas imediações da praça, para trajar de forcado, calção, jaqueta, barrete.

Depois sai a festa à rua, no caminho que leva à praça, por onde vai outra gente, misturam-se os forcados com ela, é uma alegria para os olhos o colorido que trazem e uma comoção para a alma as emoções que suscitam, mormente entre as moças que por ali andam a jeito de os ver passar.

Mantém-se coeso o grupo durante toda a corrida, coeso porque está junto, coeso por estar unido, coeso por ser solidário. Não é ninguém o forcado não estando o grupo com ele. E o cabo, que o comanda, é a figura primeira, todos sabem que depende dele, e das decisões que tomar, o êxito que o grupo vai ter e por isso o cabo é um forcado diferente, que toda a gente respeita, pelo que é e pelo que sabe, e não se discute o que ordena, nem isso passa pela cabeça de ninguém, a obediência é uma sujeição assumida, a hierarquia é a base da segurança nestes momentos de risco.

Saiu o toiro do curro, este que calhou em sorte ao grupo, e todos repetidamente se benzem. Não vêem os olhos outra coisa, durante o tempo da lide, que não seja o toiro que ali está, como é, como investe, se tem casta ou é manso, como irá comportar-se tendo o forcado na frente. E mais que todos o cabo atenta em tais características e é em função delas que decide, pouco antes de tocar para pegar, quem vai para a cara e quem faz as ajudas sucessivas.

PegaA pega é um acto artístico que tem de ter beleza e emoção, no pôr o barrete, no citar, no enfrentar, no pegar. E é, dizem os forcados, um prazer indescritível fechar-se um homem na cara do toiro, e ir pela praça fora, aguentando os derrotes, até o grupo acudir e tudo se consumar. É esse prazer enorme que leva o forcado à praça, arriscando a própria vida para o poder desfrutar.

Fico dominado o toiro quando o grupo o faz parar. Sendo bravo o animal, rende-se e entrega-se num gesto de pura nobreza. Se bare e espreneia, se continua a agitar-se, não o faz por ter bravura, mas apenas por ser manso, não é luta que quer dar, o que lhe apetece é fugir. É dos primeiros que os forcados mais gostam, como afinal, toda a gente que sabe apreciar uma corrida de toiros.

Vem depois a volta à arena, se o forcado a merecer. É a consagração ao lado do cavaleiro, que para  isso o convidou, e com a quadrilha atrás, recebendo flores e aplausos, sentindo dentro de si uma alegria incontida.

Também pode correr mal a pega de algum toiro e, quando isso acontece, tem o grupo de descobrir um geito de o pegar, de caras ou de cernelha, o que não pode acontecer é sair o toiro vivo.

Na corrida à portuguesa, que é única no mundo, há um conjunto de aspectos que lhe dãoespecial encanto. E entre eles sem dúvida destaca-se a pega de caras, home e toiro sem mais, e o forcado que a faz, moço do povo que somos, pegando a vida de frente.