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Matadores

Para além de toureiro, Manuel dos Santos fundou a ganadaria de Porto Alto e foi empresário da Praça de Toiros do Campo Pequeno. Manuel Jorge, após a morte do pai, ocorrida em 18 de Fevereiro de 1973, deu continuidade à criação de gado bravo e à gestão da mais célebre praça do país. Mas qualquer destes actividades já acabou.

Matador "A Casa Pia é proprietária da Praça de Touros do Campo Pequeno, mas cedeu a sua exploração durante um período muito longo, salvo erro 90 anos, à Empresa Tauromáquica Lisbonense e foi essa empresa que a arrendou ao meu pai, em 1963. O contrato vigorava até à altura em que a Lisbonense tinha de entregar de novo a Praça à Casa Pia, ou seja em 1983. Nessa altura, a Casa Pia abriu um concurso que foi ganho por outra empresa".

Porém, se enquanto ganadero e empresário, Manuel dos Santos teve continuidade, o mesmo não aconteceu, pelo menos até ao presente, e de alguma forma devido ao seu desaparecimento prematuro, na arte de tourear: "Aprendi e cheguei a tourear em tentas, garraiadas e espectáculos não profissionais", diz Manuel Jorge e continua: "Mas quando o meu pai morreu, eu tinha 16 anos e pensei que era melhor estudar e tirar um curso. Por outro lado, tinha um handicap, uso lentes de contacto, sou míope, o que seria um problema grave. Não pensei no toureio como profissão".

No entanto, não deixou de ser aficcionado e, enquanto médico veterinário e ambientalista como se considera, Manuel Jorge não está de acordo com as campanhas contra as corridas de toiros desenvolvidas pelas associações de protecção dos animais: "Tenho uma ideia muito firme e definida a esse propósito. Gosto dos animais e, quanto a mim, essas posições derivam do desconhecimento das pessoas, que partem de princípios que, muitas vezes, não correspondem à realidade.

Matador de tourosO toiro bravo é o animal mais bem tratado, daqueles que estão próximos dos humanos. De facto, nos 10 ou 20 minutos finais existe sofrimento, não posso negá-lo. Mas isso é feito com o objectivo de servir uma arte e um espectáculo. E esse sofrimento também é relativo porque está no calor da luta, no calor do combate. Sem negar que existe dor, o toiro bravo é o animal mais privilegiado entre aqueles que lidam de perto com o homem. Tem uma vida longa, pelas condições em que é criado, desde que nasce até ser lidado".

Manuel dos Santos morreu em 18 de Fevereiro de 1973, vítima de um acidente de viação. A Quinta de Guadalupe guarda muitos dos segredos da vida de um toureiro que quis adoptar a Golegã como sua terra natal.